Vias energéticas e EPOC

 

Vias energéticas e EPOC

ADAPTAÇÕES E RESPOSTAS AO EXERCÍCIO FÍSICO

Consoante a intensidade do esforço o organismo utiliza diferentes fontes energéticas – em esforços intensos a energia é fornecida de forma anaeróbia enquanto que em esforços mais ligeiros a energia é fornecida de forma aeróbia.
Fig. 2 – Tempo de entrada em acção das vias de produção de energia.

fontes energia
VermelhoVia anaeróbia aláctica (sistema fosfagénio) –  Esta fonte energética é denominada de anaeróbia, porque não utiliza O2, e aláctica porque não há produção de ácido láctico.
Processo de produção energética muito potente mas devido ao facto da fosfocreatina existir em escassas quantidades no músculo, a sua utilização só permite poderá ser utilizada durante 7 a 8 segs.

Neste contexto, quando um determinado exercício é caracterizado por uma intensidade máxima (98% a 100% do VO2 Máx) e de curta duração (não superior a 10 segs em atletas treinados), é este o sistema energético que é preferencialmente utilizado.
Azul Via anaeróbia láctica (sistema glicolítico)- Sistema associado à degradação da glicose, cujo produto final da glicólise é convertido em ácido láctico.
Quando o exercício é caracterizado por uma intensidade próxima do máximo (90% a 98% do VO2 Máx), e de uma duração entre os 30 segs. e os 2 minutos é este sistema que actua.
A partir destas intensidades começa a existir produção de lactato e passagem deste para o sangue. O momento em que se torna detectável essa acumulação de lactato denomina-se de OBLA (Onset of Blood Lactate Accumulation) ou Limiar anaeróbio (LANA): ponto a partir do qual a produção de ácido láctico supera a respectiva remoção.
A acumulação de ácido láctico tem como consequências:
• Menor rendimento energético
• Perturbação da contracção muscular (a acidose dificulta o estabelecimento de pontes cruzadas de actina e miosina e como tal perde-se força)

O LANA varia de indivíduo para indivíduo e o treino pode gerar adaptações de modo a que esse limiar seja atingido mais tarde (a realização de um aquecimento também ajuda uma vez que permite ao organismo começar a produzir alguma energia de forma aeróbia, no sentido de o preparar para uma remoção mais fácil do ácido láctico).
Uma vez que o factor limitativo na utilização deste sistema energético é a acumulação do ácido
láctico, quanto mais capacidade o atleta tiver em lhe resistir e quanto mais alto for o grau de
condição física, maior poderá ser a duração do esforço recorrendo a este sistema (num máximo de 3 minutos).

VerdeVia aeróbia (sistema oxidativo)
É o processo de produção energética que utiliza como substratos os glúcidos (glicose) e os lípidos (ácidos gordos).
Para se ser capaz de realizar um esforço do tipo aeróbio, tem que existir a capacidade para manter a homeostasia.
A primeira grande adaptação passa por atingir um estado estável de consumo de oxigénio – este fenómeno, mais conhecido por steady state (Momento a partir do qual a Frequência Cardíaca estabiliza. Quanto mais intenso for o esforço mais tempo se demora a atingir o steady state), implica que o organismo tenha ao seu dispor O2 suficiente para impedir a fadiga láctica.
O sistema oxidativo é utilizado por excelência quando o organismo se encontra em repouso ou em exercícios de intensidade sub-máxima (60% a 70% VO2 Máx) e de longa duração.
Tendo em conta as 3 diferentes vias energéticas, quanto maior for o esforço mais rapidamente se verificam as seguintes respostas do organismo:
• Diminuição do ATP no músculo
• Diminuição da creatina fosfato
• Aumento da creatina livre no músculo
• Diminuição do pH
No entanto, uma das respostas mais importantes em relação à utilização de diferentes vias
energéticas acontece quando o treino termina e assenta no conceito de EPOC: Excessive Post-
Training Oxygen Consumption.
Após um esforço, o organismo tem necessidade de voltar ao seu estado pré-exercício através
de:
• Ressíntese de ATP e Pcr
• Metabolização do lactato
• Reconstituição das reservas de O2 (mio e hemoglobina)
• Remoção do CO2 acumulado

 

O EPOC representa a quantidade de oxigénio (extra) para que tal aconteça. Para além da referida reposição das reservas de oxigénio, este consumo acrescido serve para fazer face às exigências de processos como a remoção de ácido láctico, a reposição de reservas energéticas (ATP, CP e Glicogénio), e a ressintese proteica (Meirelles & Gomes 2004), ou seja, o consumo energético decorrente do exercício não ocorre apenas enquanto este dura mas também durante o período pós treino em que o consumo acrescido de oxigénio perdura.
Fig 3. Débito de O2 pós exercício ( Exercise Post Oxygen Consumption).

Após o exercício intenso identificam-se 3 fases:
1ª) Declínio rápido (30 segs) no consumo de O2 – reposição da actividade aeróbia
2ª) Declínio lento (15min) – custo energético da remoção do lactato
3ª) Elevação da taxa de metabolismo basal que pode permanecer por 36 horas após o esforço
(metabolização lipídica aumentada)
O EPOC torna-se relevante quando se abordam situações como a perda de massa gorda, na qual
a manipulação deste aspecto pode levar a um acréscimo do consumo metabólico diário.
A intensidade de treino representa a variável cuja alteração produz as maiores diferenças. O
seu aumento promove alterações simultaneamente em dois aspectos: a intensidade e a
duração do EPOC.

É assim possível entender que no treino destinado à perda de massa gorda é cada vez mais
frequente a inclusão de treino intervalado de alta intensidade (>85% VO2max.) em detrimento
do tradicional treino extensivo de baixa intensidade (50 a 60% VO2max.) conseguindo-se deste
modo obter consumos energéticos pós-exercício mais intensos.

HITT

Por outro lado, a utilização de programas de treino com resistências com uma dinâmica de carga
vocacionada para a hipertrofia permite também conseguir obter períodos de EPOC mais
elevados.

Deixar Comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.