O PROBLEMA – compreender explicar e utilizar o desporto

O processo racional que temos de seguir para compreender explicar e utilizar o desporto ( o método ) , exige, antes de mais, alguma clarificação do fenómeno a ser tratado.

É que, julgamos, tem havido muito pouca preocupação em “separar águas”, até ao nível da investigação.

Por vezes pareceria mesmo verdadeiro que se tem dado o inverso. A indefinição a nível terminológico é geral (por exemplo; 1- a ginástica como movimento analítico opunha-se ao desporto, hoje a ginástica é um desporto. mas pretende manter as características de movímento analítico, ao nível dos conceitos, das regras, etc. ; 2 – os termos “ um ginasta” e “um atleta”, para além do significado respectivamente, de um desportista que faz ginástica e de um desportista que faz atletismo, são, também, utilizados como sinónimos de desportista; 3- os Jogos Olímpicos, palco do profissionalismo, ao qual nada temos a opor, continua a incensar o amadorismo, o que já nos parece estranho). A confusão é generalizada entre produtores e consumidores de desporto, com profissões sem fronteiras e que se interpenetram ao sabor dos interesses do momento ( como se o doente ao fim de uns anos de hospital pudesse, em consequência desta estadia e da sua experiência de doente, passar a médico; como se ao fim de Y horas de voo o passageiro tivesse a formação para ser piloto).

O desporto, que toda a gente diz ser um meio, um instrumento, e que, como qualquer outro instrumento, pode ser usado “para o bem ou para o mal”, é considerado, com ligeireza, como benéfico, qualquer que seja a forma como é utilizado (Desporto e droga — a favor ou contra ? Desporto e saúde — a favor ou contra ? Desporto e educação— a favor ou contra? ).

É, portanto necessário escalpelizar as diferentes facetas do desporto, numa primeira grande análise do problema, isolando as diferentes partes que por terem especificidades proprias, tem de ser estudadas independentemente, sem no entanto esquecer que fazem parte de um todo em que a dialéctica das partes é essencial, pois este todo não é o simples somatório das partes. Como acontece, aliás, com qualquer objecto de estudo.

 

 

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