A ciência da musculação

Tornar os músculos mais lisos…

 

Aceda  a uma revista de musculação ao acaso. Se conseguir passar daquelas páginas onde se vêem inúmeras mulheres em biquini capazes de erguerem um Chevroler dos pequenos, várias vezes seguidas, por certo que irá reparar na enorme quantidade de esquemas, técnicas, engenhocas, pós e pílulas criados de propósito para lhe confundir o espírito e fazer crescer os músculos.



«Soro de Proteinas: O Mágico Escultor dos Músculos, lê-se num título. «Trabalhe os seus Bicípites e ganhe um máximo de definição>’, lê-se num outro, «Aumento de Insulina: A Chave para o Crescimento dos Músculos».
E na medida em que todos os homens retratados nessas revistas são descomunais — quase tão grandes como as mulheres, na verdade —, você fica a pensar: que fórmula mágica é que devo utilizar, se só quiser aumentar um ou dois centímetros nos braços e no peito?
Existe uma fórmula que não tem nada de mágico e não vem numa garrafa. Uma vez compreendidos os princípios básicos de treino, nutrição e recuperação, é só uma questão de os ajustar de modo a satisfazer as necessidades do corpo, antes de começar a sentir os seus casacos apertados. Melhor ainda, não precisa de perder muito tempo nos ginásios — cerca de uma hora por dia, no máximo —, e verá que os seus músculos começarão a crescer rapidamente.
«Um neófito, uma pessoa que levante pesos pela primeira vez, poderá estar a fazer a pior série de exercícios do mundo, mas fará, com certeza, enormes progressos, dado que se trata de uma nova experiência para os seus músculos», afirma o Dr. Bob Lefsvi, nutrícionista do desporto e especialista em treino de força na Universidade Armstrong Atlantic, em Savannah, Geórgia, e campeão norte-americano de culturismo, na categoria de leves, pela Intemational Federation of Bodybuilding, em 1990. ‘«Até mesmo as pessoas que passam grande parte do seu tempo nos ginásios registarão ganhos importantes se alterarem os seus esquemas».

A musculação, quando feita de forma natural, só traz benefícios. Há estudos que indicam que o aumento da massa corporal lisa ajuda a queimar melhor as gorduras. Na verdade, por cada quilo de músculo obtido, a taxa metabólica restante sobe acima das cinquenta calorias por dia.
‘«Quando as pessoas começam a substituir as gorduras do seu corpo por músculos lisos, o corpo tende a tornar-se uma máquina muito mais eficaz», refere o Dr. Bob Goldman, presidente da Academia Americana da medicina Anti-Envelhecimento e presidente da Academia Nacional dos Desportos, em Chicago.

Também existem dados que revelam que fazer musculação de uma forma natural ajuda a afastar e até a contrariar os efeitos de doenças degenerativas como a artrite. Os cientistas chegaram à conclusão que pessoas com artrite sujeitas a um treino de força ficam mais fortes, «deixam de ter tantos sintomas e perdem peso», observa o Dr. Bob Goldman.
Que tipo de músculos são os seus?


Bicípites avantajados e peitorais bem esculpidos atraem todas as atenções, mas estes músculos salientes são apenas dois dos duzentos e quinze pares de músculos que se encontram no nosso corpo — independentemente de termos ou não levantado alguma vez pesos. Alguns são pequeninos, como os nove que controlam o movimento do polegar. Outros são enormes. Quando plenamente desenvolvidos, os dorsais, localizados de cada lado das costas e do tronco podem dar uma forma em V digna de inveja.
Tal como uma corda entrelaçada apertada. cada músculo é composto por fibras ó fios microscópicos que variam em comprimento, desde uns meros milímetros até uma extensão idêntica à da coxa. Dividem-se em fibras rápidas e lentas, e cada uma tem um fim específico.

Quando pensamos em contracção rápida, pensamos em força e em magnitude — são os músculos que estão a trabalhar quando alguém faz um sprint para a meta. As fibras musculares lentas fornecem a resistência aeróbica que permite pôr a funcionar os músculos das pernas quando estamos a subir uma escada.
Apesar de muitos de nós terem nascido com uma quantidade igual de fibras rápidas e lentas, não há dúvida de que algumas pessoas têm mais predisposição do que outras para a obtenção de músculo. «Vejam o caso de um jogador de Basebol. Nunca o poderíamos ver a correr uma maratona. É um atleta forte e poderoso, nascido com uma proporção de fibras musculares rápidas maior do que a média. Por isso,  é mais musculado do que imaginemos, um irmão gémeo
que  não tivesse uma percentagem tão “levada de fibras rápidas», esclarece o Dr. Bob Lefavi.

 

Mas como é que uma fibra muscular, de contracção e descontracção rápida ou lenta, se torna maior? Muito simplesmente, o potencial para a obtenção de músculo aumenta quando desafiamos, nossos músculos de uma forma nova ou diferente tanto faz ser com flexões e extensões dos braços, uniões dos antebraços /bicípites, uma corrida de fundo ou um passeio de bicicleta, jogando golfe pela primeira vez em seis meses, ou com a ajuda de um dos mil aparelhos de ginástica anunciados na televisão.
Eis a razão. Para poderem resistir, os nossos musculoss alteram-se ao fim de sete a quinze dias, substituindo as células mortas e fazendo os ajustamentos necessários. Mas, quando forçamos os musculos, através de exercícios com pesos ou qualquer outra forma de treino de resistência, as células que compõem as fibras musculares mudam mais rapidamente. «É o que acontece quando caminhamos na praia», diz o Dr. Bob Lefavi. «Se não estivermos habituados, tal exercício irá desafiar os músculos da barriga da perna, devido ao facto de o calcanhar se afundar na areia. Os efeitos far-se-ão sentir no dia seguinte — ficarão doridos. Ou se passarmos o fim-de-semana a jogar futebol americano, pela primeira vez em dez anos, é natural que na segunda-feira seguinte sintamos todos os músculos das costas e dos ombros que já nos tínhamos esquecido que existiam».

Apesar da verdadeira causa dessa dor constituir um motivo de forte discussão nos encontros de medicina, o ponto de vista que prevalece é o de que o exercício intenso provoca lágrimas microscópicas no músculo e a diminuição do número de proteínas nele existentes.
Mas os nossos músculos não acusam o esforço, deixando-se ficar quietos. «É como se a célula muscular dissesse: ‘obrigaste-me a fazer um esforçoi fora do vulgar, magoaste-me e eu não quero voltar a sofrer da mesma maneira. Por isso, não vou voltar ao ponto de partida. Vou colocar-me numa posição mais vantajosa para que, da próxima vez que isto aconteça, não volte a passar pelo mesmo`. è é assim que se verifica o crescimento muscular…

 

Diferencie o treino para se tornar mais forte.


Se der uma olhadela pelo ginásio é fácil detectar aqueles que caíram na rotina. Estão tal qual como estavam há seis meses atrás.
«Apontem-me uma pessoa que não tenha feito quaisquer alterações no seu plano de exercícios que eu aponto-vos, em troca, uma pessoa que não alterou em nada a sua forma física», afirma o Dr. Bob Lefavi, da Universidade Armstrong Atlantic.
Por conseguinte, a maior parte dos cientistas sugere que se altere o esquema habitual de exercícios ao fim de três meses, para que os músculos possam continuar a crescer. Mude o seu esquema de treino de força, diminuindo o número de repetições, durante alguns meses. Ou divida o esquema em duas partes, treinando o terço superior num dia e o terço inferior no dia seguinte. Ou talvez nem seja preciso esperar tanto.
«E natural que, por vezes, se sinta sob uma grande tensão e não queira treinar com pesos mais pesados. Óptimo. É o dia perfeito para colocar menos pesos na barra e aumentar o número de repetições. Passar de quinze para vinte repetições é uma variação importante. Estará a actuar de maneira diferente para com os seus músculos, forçando-os a crescer. É isto que importa», refere o Dr. Bob Lefavi. (in Mais Forte em Menos Tempo).

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