Máquinas e outros Equipamentos de Treino

máquinas de ginásioO mundo do fitness tem vindo a alterar-se com a evolução dos tempos e com a introdução de novas máquinas e equipamentos de treino, se por acaso já frequenta um ginásio desde a alguns anos deve ter tido a oportunidade de verificar como eram as salas de Musculação de algumas décadas atrás.

Nessa  altura estas salas eram mais vazias e predominavam maquinas simples como é o caso das barras livres, halteres, bancos fixos e reclináveis de  vários tipos, com o passar dos anos observou-se uma invasão e sofisticação de máquinas com o objectivo de fazer fase à proliferação do mercado do fitness.

De facto, o aumento da procura dos ginásios levou a que os proprietários começassem a optar por equipamento menos “agressivos” – a utilização de pesos livres era (é) incorrectamente
encarada por grande parte dos novos utilizadores de Health Clubs, os quais, por diversas razões (idade, género ou simplesmente pela inexperiência na sua utilização) desconsideravam a
utilização dos pesos livres.

No entanto, todos os envolvidos, deste proprietários até utilizadores, passando sobretudo pelos profissionais que prescrevem diariamente as sessões de treino, rapidamente perceberam que o uso exclusivo de aparelhos não era a opção mais correcta para quem procura uma real equilíbrio a nível de saúde muscular.

De facto, se por um lado as máquinas dão uma noção de maior segurança assim como podem economizar alguns minutos (por não se ter que montar barras ou halteres), a verdade é que a utilização de outras ferramentas (ex: pesos livres, kettlebells, Trainer Bags, TRX, cabos e elásticos,… além do próprio peso corporal) tem grandes vantagens:

• Ao serem desafiantes na necessidade de se manter uma correcta postura corporal e padrão de movimento, o seu uso exige grande nível de controlo muscular e coordenação, existindo uma maior solicitação de músculos estabilizadores/posturais (os quais actuam como sinergistas)

• A amplitude de cada movimento/repetição é apenas limitada pela amplitude
articular de cada praticante

• O ângulo do exercício varia ligeiramente em cada repetição, permitindo assim maior
excitabilidade das fibras musculares envolvidas

• Ao contrário do que acontece com a maioria das máquinas (em que a força pode ser maioritariamente realizada por um dos membros) o facto de (sobretudo com halteres) se
poder imediatamente determinar se um braço ou perna tem mais força que o outro, vai permitir uma maior correcção de assimetrias no plano médio-sagital


• São adaptáveis a todo o tipo de compleições físicas e como tal permitem a possibilidade de execução independentemente da altura de cada atleta (apresentando
assim maior facilidade para as mulheres), o que por vezes não acontece com os aparelhos pois estes últimos são fabricados tendo em conta uma estatura média (dificultando a sua utilização por quem está abaixo ou acima dessa altura)

• A sua versatilidade permite que um halter/barra possa ser usado para diferentes exercícios (enquanto que uma máquina possibilita apenas um ou dois movimentos
diferentes) – tal factor pode ainda contribuir para a diminuição do tempo de treino pois poder-se-á conjugar dois exercícios num só movimento (ex: lunges com press de
ombros)
• Apresentam também um custo mais baixo e necessidade de menos espaço.

Em relação ao complemento de actividades desportivas, as evidências apontam para uma resposta inadequada do treino realizado exclusivamente em aparelhos. A performance
desportiva está intimamente ligada a uma complexa estrutura de forças e acções sincronizadas entre si e os treinos contra resistência devem contemplar esta coordenação.
Os aparelhos treinam apenas determinados movimentos enquanto que cargas livres podem treinar uma imensidão de acções – as quais podem servir de transfer quase perfeito
dos gestos desportivos e como tal mostrarem-se capazes de desenvolver correctamente a
performance do atleta.

Em jeito de conclusão pode-se afirmar que, apesar do trabalho com cargas livres poder ser difícil devido ao equilíbrio e coordenação exigidos, o que pode levar a que a hipótese de lesões
seja bastante maior se a execução técnica não for correcta (os principiantes necessitam de bastante orientação até conseguirem a técnica correcta), a sua utilização pode gozar de uma maior eficácia a nível neuromuscular ( e torna o treino mais completo e dinâmico a nível de
variedade de exercícios).

Exemplo:
Se, numa fase inicial a utilização de exercícios com barra ajuda ao entendimento e desenvolvimento da coordenação da aplicação das forças (sobretudo no plano médio-sagital), a
utilização de halteres em fases intermédias e avançadas potenciará ainda mais os resultados – deixa de existir qualquer possibilidade de sinergia de esforço entre o lado esquerdo
e direito e permitem-se também exercícios unilaterais.

Um treino equilibrado deverá incorporar cargas livres assim como exercícios realizados com máquinas, devendo-se tentar manter o trabalho realizado nos aparelhos a cerca de 20% do tempo total do treino. Os outros 80% deverão ser investidos no trabalho com cargas livres (e peso corporal!), o que possibilitará assim um harmonioso desenvolvimento da musculatura, assim como da
estabilidade, do sentido de equilíbrio e de coordenação.

O recurso ao uso de cargas livres pode (e deve) ser opção válida para a grande maioria dos objectivos, sejam estes o aumento da força, a hipertrofia muscular, a especificidade desportiva,
a condição física geral, a perda de peso e até mesmo o treino do Core.
A consideração mais importante quando se utilizam cargas livres é ter uma postura correcta e estabilização do Core para assegurar movimentos correctos e efectivos, sendo também que o
controle da velocidade do movimento é essencial para maximizar a estimulação muscular.

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